A sincronia dos meus pensamentos e a agilidade das ideias perdidas me fazem desperdiçar tempo e inspiração. Me lembro que na volta, vi um bem-te-vi. Tinha o peito estufado, o rabo arrogante, uma plumagem incerta. Mas não era amarelo seu peito, devia ser roxo, pois algo me chamou atenção. Ele não cantava, o zunido de seu bico era irritante, mas a ave se mantinha soberba em seu vôo.
Cazuza te deu outro nome, mas não é de taxonomia que aves são feitas. Elas fazem parte de um propósito maior. As aves enfeitam o irritante infinito céu azul, elas cantam e podem ser uma compania pro solitário aposentado. Mas nem todos estão devidamente preparados para cuidar de seres tão frágeis. Infelizmente meu bem-te-vi não saberei ter ouvidos apurados para compreender sua cantoria, não terei paciência suficiente para apenas observar seus pequenos gestos, não irei compartilhar seus momentos.
Na minha janela você não pode mais pousar, nem na minha gaiola te prenderei. Agora querido bem-te-vi, eu irei ouvir de longe sua cantoria e terei certeza que será você e não um sabiá. Mas então vai..não há limites para você além daqueles que vc mesma se impõe. Mas seu mundo é em outro lugar. Não desperdice suas vontades, construa um ninho seguro e confortável, saiba qual a melhor árvore que te suportará, pois vc não cai, vc voa..lembre-se disso.
Eu não me arrependo de nada bem-te-vi, não mudaria nada..então só fico com a ultima canção doce que ouvi de vc, e mesmo que a cena de vê-lo voando para longe da minha janela tenha doído, vc deve saber a sua rota e eu preciso seguir a minha.