domingo, 25 de julho de 2010

Cartilha

Como a minha inspiração tem limites assim como meus impulsos não, não tenho muito que dizer. Mas definitivamente tenho o que refletir. Isso obra do maravilhoso silêncio punitivo. Não contesto, mas também não é agradável. Ai começo a lembrar o porquê de certas decisões. Onde e como eu me direcionei para este lado. Agora nada esta ordenado, nada me ajuda a pensar com exatidão. Parece que meus pensamentos só conseguem convergir pra um único lugar e isso não me leva a lugar algum.
Reflito como minha mente funciona e o quanto sou egoísta. Palavra essa que parece constante na minha personalidade, com todo mundo me enquadrando assim eu vou acabar acreditando..mas a questão principal é que eu sempre perco. Perdi a razão, perdi a direção e vou perder mais..
Este é o preço para quem não consegue olhar para alem de seu umbigo. E o meu já teve atenção demais esse ano.
Mas se tem uma coisa que não perdi, é esta arma que vou utilizar até que as gotas de esperanças guardadas para emergências se percam na confusão que tornei na minha vida.
Todos os dias vou tentar aprender alguma coisa, quem sabe assim me torno uma pessoa melhor para o seu mundo...
E o aprendizado de hoje é sobre o perdão...




''Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana' ''

O perdão nunca foi meu forte, mas tentarei todos os dias me lembrar o quanto ele é fundamental. Conscientemente somos livres, mas se isso fosse total verdade não haveria motivos para o cruel remorso. Então hoje eu vou aprender que aquele que espera o perdão sofre muito mais do que o não consegue perdoar. Eu perdôo a mim, como egoísta que sou, por não ser tão soberba quanto me fiz ser. O chão é mais duro e frio quanto eu julgava.
Espero que perdoar não seja mais a questão fundamental, mas sim um detalhe na vida. Aprender agora, já que antes não foi capaz!

E passo os dias comigo, com o silêncio e com o perdão.

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